domingo, 14 de novembro de 2010

USO DE ANIMAIS EM EXPERIMENTOS E AULAS, O QUE FAZER? QUAL SUA OPINIÃO?

O uso de animais em testes com animais ou em atividades de vivissecção é tema de ampla discussão entre grupos que defendem seu uso e os grupos que acham inconcebível a idéia de que podemos dispor da vida de outros animais como bem entendermos.

Normalmente, o grupo que defende o uso de animais alega a necessidade tanto de testes de medicamentos para uso humano em organismos vivos verificando assim os resultados obtidos nesses testes, como a necessidade de ensinar mais sobre a vida usando seres vivos que são sacrificados em prol de um maior entendimento e conhecimento de seus corpos.

os que condenam essas atividades alegam que, por serem dotados de vida, sentem dor, medo, sofrimento, independente de serem considerados apenas animais.

Antes de qualquer coisa é importante conhecermos a diferença entre “vivissecção” e o “teste em animais”:

Na vivissecção ocorre a dissecação (divisão em partes de seres vivos ou mortos) de animais para estudos.

No teste em animais utilizam-se esses seres para se obter informações sobre comportamento, reação ou qualquer outro tipo de retorno que determinado ser vivo terá quando exposto a certos tipos de substâncias.

Antes de tirar qualquer conclusão sobre este tema tão polêmico, convido você a ler trechos de sites que tem pontos de vista diferentes quanto ao assunto abordado, ao final da leitura clique no link de cada site para ler os textos na integra.


TEXTO 01: Testes em Animais (Site do PEA)


ENDEREÇO ELETRÔNICO: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/index.htm

Não é possível aceitarmos um comitê de ética para experimentação animal,

pois consideramos que não existe ética nesse tipo de experimentação. Quando nos referimos aos animais, independentemente da espécie, raça, cor ou sexo, partimos do pressuposto que são vidas, sentem dor, medo e tudo mais que podemos sentir.

Diferentemente do que muitos pensam, os animais não estão aqui para nos servir. É nosso dever respeitá-los e protegê-los como seres vivos.

Nem mesmo a utilização de animais na área médico-científica é justificável, uma vez que

já se sabe que a utilização de animais em pesquisas é um retrocesso, um atraso na evolução científica, além de ser um grande desperdício de dinheiro público.

“De acordo com o Dr. Albert Sabin, pesquisas em animais prejudicaram o desenvolvimento da vacina contra o pólio. A primeira vacina contra pólio e contra raiva funcionou bem em animais, mas matou as pessoas que receberam a aplicação. Albert Sabin reconhece que o fato de haver realizado pesquisas em macacos Rhesus atrasou em mais de 10 anos a descoberta da vacina para a pólio.”

“As perigosas drogas Talidomida e DES foram lançadas no mercado depois de serem testadas em animais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram com o resultado”

Já existem inúmeras métodos substitutivos eficientes e eficazes que podem e já estão sendo usados nessa área. Isso sem falar dos modernos processos de análise genômica e sistemas biológicos in vitro, que vêm sendo muito bem utilizado por pesquisadores brasileiros. Sem falar que culturas de tecidos, provenientes de biópsia, cordões umbilicais ou placentas descartadas, dispensam o uso de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem.

A vivissecção envolve basicamente interesses financeiros e políticos, e nem tanto científicos como se pensava.

Quando um medicamento chega ao mercado, são os consumidores as primeiras cobaias de fato, independentemente da quantidade de testes conduzida previamente em animais. Somente os humanos podem exibir efeitos desejáveis ou colaterais na espécie para qualquer substância testada. A indústria vivisseccionista não apenas coloca em risco nossas vidas como impede que outras vidas sejam salvas.

Seguem Alguns Dados:

Várias diretrizes da União Européia foram firmadas com o propósito de abolir os testes com animais, dentre eles o terrível DL 50. Trata-se, portanto, de uma tendência mundial, em que a preocupação com o bem-estar dos animais de laboratório provoca discussões ética

s no meio acadêmico e científico.

Na Europa muitas faculdades de medicina não utilizam mais animais, nem mesmo nas matérias práticas como técnica cirúrgica e cirurgia, oferecendo substitutivos em todos os setores.

Na Inglaterra e Alemanha, a utilização de animais na educação médica foi abolida. Sendo que na Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda) é contra a lei estudantes de medicina praticarem cirurgia em animais. Note-se que os médicos britânicos são comprovadamente tão competentes quanto quaisquer outros.

A produção de anticorpos monoclonais por meio de animais foi banida na Suíça, Holanda, Alemanha, Inglaterra e Suécia.

Na Itália, entre 2000 e 2001 mais de um terço das universidades abandonaram a utilização de animais para fins didáticos. A Província de Sul de Tirol, Itália, proibiu a experimentação em animais ao longo de seu território.

Nos EUA, mais de 100 faculdades de Medicina (70%) não utilizam animais vivos nas aulas práticas. As principais instituições de ensino da Medicina, como a Harvard, Stanford e Yale julgam os laboratórios com animais vivos desnecessários para o treinamento médico.

A abolição total dos testes em animais depende única e exclusivamente de nós consumidores. Hoje, com as informações disponíveis, podemos escolher entre produtos testados e não testados em animais. Nós devemos pressionar e exigir o fim da utilização de animais pelas empresas que ainda insistem em utilizar esse método retrógrado, ineficiente e cruel. Mas, mais importante ainda, é fazer com que as indústrias saibam do nosso descontentamento com seus métodos de pesquisa. Não adianta parar de usar um produto sem comunicar a empresa sobre as razões que motivaram essa decisão. Como consumidores, devemos exigir que nossas dúvidas sejam devidamente sanadas, uma vez que toda e qualquer empresa tem o dever de nos informar sobre o produto que estão vendendo, desde a matéria prima, fabricação, até os testes.

Experimentação Animal na Educação: São várias as finalidades dos experimentos realizados com animais em universidades brasileiras: observação de fenômenos fisiológicos e comportamento a partir da administração de drogas; estudos comportamentais de animais em cativeiro; conhecimento da anatomia interna; e desenvolvimento de habilidades e técnicas cirúrgicas. Os experimentos são comuns em cursos de Medicina Humana e veterinária, Odontologia, Psicologia, Educação Física, Biologia, Química, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica. Essas práticas vêm sendo severamente criticadas por educadores e profissionais. Seus argumentos são de ordem ética e, em alguns casos, técnica, levantados em favor de educação mais inteligente e responsável. Abaixo estão descrições breves dos experimentos mais encontrados nas universidades:

Miografia: Um músculo esquelético, geralmente da perna, é retirado da rã ainda viva para estudar a resposta fisiológica a estímulos elétricos.

Sistema Nervoso: Uma rã é decapitada e um instrumento pontiagudo é introduzido repetidamente na sua espinha dorsal, observando-se o movimento dos músculos esqueléticos do restante do corpo.

Sistema Cardiorespiratório: Um cão é anestesiado, tem seu tórax aberto e observa-se os movimentos pulmonares e cardíacos. Em seguida aplicam-se drogas, como adrenalina e acetilcolina, para análise da resposta dos movimentos cardíacos. Outras intervenções podem ser realizadas. Por fim, o animal é morto.

Anatomia Interna: Diversos animais podem ser utilizados para tal finalidade. Geralmente são mortos ou são sacrificados como parte do exercício, com éter ou anestesia intravenosa.

Estudos Psicológicos: Ratos, porcos-da-índia ou pequenos macacos podem ser utilizados com o instrumento de estudo. São vários os experimentos realizados. Privação de alimentos ou água (caixa de Skinner, por exemplo); experimentos com cuidado materno (a prole é separada dos genitores); indução de estresse (utilizando-se choques elétricos, por exemplo); comportamento social em indivíduos artificialmente debilitados ou caracterizados. Alguns animais são mantidos durante toda a vida em condições de experimentos, outros são mortos pelas condições extremas de estresse ou quando não podem mais ser reutilizados.

Habilidades Cirúrgicas: Muitos animais, geralmente vivos, podem utilizados para estas práticas.

Farmacologia: Geralmente pequenos mamíferos, como ratos e camundongos. Drogas são injetadas intravenosas, intramuscular ou diretamente no estômago (via trato digestivo por catéter ou injeção). Os efeitos são visualizados e registrados.


TEXTO 02: Uso de animais em experimentos científicos (Site da UNESP)

Endereço Eletrônico: http://www.unesp.br/aci/jornal/245/opiniao.php

Impossível negar a importância da experimentação animal para o desenvolvimento da Biologia. Desde os primeiros testemunhos históricos, que remontam a mais de 2 mil anos, com o relato de Hipócrates (450 a.C.) relacionando órgãos humanos doentes com os de animais para fins didáticos, até a atual e vasta utilização, entre outros exemplos, no controle de vacinas, nas pesquisas sobre células-tronco no campo da cardiologia, da neurologia e de moléstias pulmonares e renais, além das pesquisas atuais da neurociência que envolvem a comunicação entre o cérebro de primatas e próteses robóticas, a experimentação animal tem contribuído significativamente para a melhoria da qualidade de vida.

Animais são utilizados na experimentação científica por constituírem modelos, que poderíamos considerar como mapas de territórios não explorados que servem de base para encontrar o caminho de um destino. [...] Em especial, citamos o exemplo do Prêmio Nobel de Medicina de 2007, que contemplou três pesquisadores, Oliver Smith, Martin Evans e Mario Capechi, que há aproximadamente 20 anos iniciaram trabalhos pioneiros com deleção de genes específicos em camundongos, conhecidos como animais knock-out. Desde então mais de 300 tipos diferentes de camundongos knock-out foram gerados com o objetivo de se estudar a participação de genes específicos na gênese de várias patologias, tais como hipertensão, diabetes, doenças neurodegenerativas, dentre outras. [...]

No contexto atual, os animais transgênicos (ou geneticamente modificados) são poderosas ferramentas para as descobertas científicas, com benefícios diretos na agricultura, medicina e indústria. Animal transgênico é aquele com moléculas de DNA recombinante exógeno introduzidas em seu genoma por intervenção humana. [...] Os benefícios diretos e biotecnológicos do uso dos animais transgênicos têm repercussão na agricultura, medicina e indústria. Na agricultura, a transgenia permite a criação de animais de grande porte com características comercialmente interessantes, cuja produção por técnicas clássicas de cruzamentos e seleção são extremamente demoradas. [...]

As aplicações médicas são várias e incluem o polêmico xenotransplante, ou seja, o transplante de órgãos animais para os seres humanos. Sabemos que a demanda por órgãos não é atendida por doadores. Sendo assim, os xenotransplantes poderiam ser uma resolução na questão da disponibilidade de órgãos. A transgenia vem sendo utilizada para a criação de porcos imunocompatíveis com o ser humano. No entanto, vale lembrar que é grande a discussão sobre uma questão séria de biossegurança nessas técnicas, que podem criar o risco de transmissão de patógenos suínos para o ser humano. Além disso, a transgenia em animais de grande porte vem sendo utilizada para a produção de fármacos. Produtos como insulina, hormônio de crescimento e fator de coagulação podem ser obtidos do leite de vacas, cabras ou ovelhas transgênicas. A aplicação da transgenia na indústria visa à criação de biorreatores, animais transgênicos de grande porte produzindo uma proteína de interesse comercial em algum tecido de fácil purificação. Um exemplo é a cabra transgênica, que produz em seu leite uma proteína de teia de aranha. [...]

A evolução da ciência e os constantes questionamentos sobre o uso de animais em experimentação científica alteraram as relações entre o ser humano e os animais, transformando o bem-estar animal em uma importante área de estudo. A ciência de animais de laboratório considera o bem-estar animal como um dos principais fatores que podem influenciar o resultado de um experimento e valoriza o uso ético de animais retomando o princípio dos três Rs desenvolvido por Russell e Burch: refinamento, redução e substituição (do inglês replacement), no qual, embora a utilização seja permitida, deve ser reduzida ao mínimo e substituída sempre que possível por outras técnicas. [...] Hoje, a maior parte das experiências envolvem camundongos, ratos e cobaias, muito mais fáceis de manusear e baratos de manter, enquanto diminui o uso de cachorros e gatos. Cresce ainda a utilização do zebrafish, um peixinho de aquário conhecido como paulistinha, que se reproduz rapidamente e tem muitos genes semelhantes aos de seres humanos. A utilização de primatas, que sempre foi controversa, segue polêmica e difícil, ainda que os macacos sejam considerados indispensáveis em pesquisas como a de vacinas contra a Aids, pela semelhança com o organismo humano, além das pesquisas atuais da neurociência.

Para mensurar o bem-estar do animal envolvido na pesquisa é fundamental que o pesquisador entenda o universo artificial onde este está contido e compreenda aspectos

da anatomia, fisiologia e manejo da espécie em questão, além de dedicar um espaço suficiente para a realização de movimentos corporais normais e livre acesso à água e alimento. [...] Ambientes mais estáveis, livres de odores indesejáveis, limpos, com luminosidade e temperatura ideais e isentos de microrganismos patogênicos são cientificamente mais aceitos e favorecem o bem-estar do animal. [...]

Apesar da comprovada importância dos modelos animais para a pesquisa científica, de tempos em tempos a comunidade científica é cobrada pela sociedade quanto ao uso de animais em experimentação. Historicamente, os questionamentos éticos apresentados pelo inglês Jeremy Bentham (1748-1832) acerca do sofrimento imposto aos animais podem ter dado início às primeiras ações com relação à proteção aos animais no século XIX. Uma justificativa veemente apresentada por Claude Bernard, em 1865, se apresenta em seu livro Uma introdução do estudo da medicina experimental: “... Seria estranho se reconhecêssemos o direito de usar animais para serviços caseiros, para comida, e proibíssemos o seu uso para a instrução em uma das ciências mais úteis para a humanidade [...]”. No entanto, a polarização entre os experimentalistas e aqueles que se contrapõem à sua utilização perdura. [...] Dentre as várias e profundas transformações sociais observadas

durante o século passado destaca-se o surgimento, como movimento social organizado, do ativismo pró-bem-estar dos animais

não humanos. E ele é importante no sentido de resgatar a discussão em torno de comportamentos e atitudes que aperfeiçoam conceitos significativos na questão, incluindo a ética. Diante dela se estabelecem múltiplas e diversas facetas, que devem ter como consequência o trato, consideração e respeito ao animal.

Como parte do equacionamento dessas questões foram criados os Comitês de Ética de Pesquisa em Animal em muitas Universidades Brasileiras e Centros de Pesquisa, a partir da Resolução 196/96 do CNS/MS. Eles têm trabalhado no sentido de aperfeiçoar os procedimentos do pesquisador na intervenção com os animais. Análise, avaliação e construção contínua de padrões e condutas legitimam a atividade dos pesquisadores que utilizam animais de laboratório.

AGORA É A SUA VEZ: Após a leitura dos dois pontos de vista, qual a sua opinião sobre o assunto? Poste um comentário expressando qual conclusão você chegou. Vamos trocar umas idéias, espero você.


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2 comentários:

  1. Olá Fábio recentemente me fizeram a mesma pergunta no meu blog eu particulamente sou contra o uso no ensino médio e fundamental de animais em laboratório para essas práticas.
    E segundo as leis abaixo é ate mesmo proibido:
    leis No 9.605 e Nº 11.794.

    LEI No 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998
    Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
    Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
    § 1 . Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
    § 2 . A pena e aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.


    LEI Nº 11.794, DE 8 DE OUTUBRO DE 2008.
    CAPÍTULO I
    DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
    Art. 1o A criação e a utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica, em todo o território nacional, obedece aos critérios estabelecidos nesta Lei.
    § 1o A utilização de animais em atividades educacionais fica restrita a:
    I – estabelecimentos de ensino superior;
    II – estabelecimentos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica.
    § 2o São consideradas como atividades de pesquisa científica todas aquelas relacionadas com ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento tecnológico, produção e controle da qualidade de drogas, medicamentos, alimentos, imunobiológicos, instrumentos, ou quaisquer outros testados em animais, conforme definido em regulamento próprio.
    Art. 2o O disposto nesta Lei aplica-se aos animais das espécies classificadas como filo Chordata, subfilo Vertebrata, observada a legislação ambiental.

    Concluindo não pode utilizar animais vertebrados em sala de aulas no ensino básico.
    Abraços. Eu.
    Fontes:
    http://www.mma.gov.br/port/gab/asin/lei.html
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm

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  2. Muito boa a sua colocação colega, realmente estas informações devem ser trabalhadas com frequência com os alunos. Sabemos que na graduação o uso de animais é bem frequente e sempre com grande número de indivíduos. Deve-se trabalhar isso desde a educação básica para formar cidadãos críticos e conscientes.

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